
Há Sempre um Verso
Há sempre um verso oculto na memória que a gente finge ter esquecido. É como um corpo que mergulha nas profundezas do mar e depois emerge. E traz à tona lembranças, momentos, sabores e gostos de alguém que não deveria ter partido. Há sempre um verso adormecido no íntimo, que desperta quando a saudade não consegue mais se conter no silêncio do abismo interior. As palavras querem ser ditas, ouvidas e recebidas para quem elas foram escritas. Há sempre um verso guardado a ser degustado com amor, para se abrir o coração como aquele vinho envelhecido esperando o momento oportuno. Há sempre um verso... Há sempre um verso aguardando o olhar e os ouvidos certos. Há sempre um verso não dito, sufocado na solidão de quem chora.