
Aquela época do ano era o inferno astral de Fred. Sonhava nem existir, se pudesse.
- Ôoooo, Céus! Que a força da Mãe Natureza me ajude a sobreviver a esse caos mais uma vez!
Fred vivia no fogo cruzado. A casa ficava entre dois brutamontes. Um vizinho destro e um canhoto. O circo estava armado! De um lado, o cuspidor de fogo. Do outro, o arremessador de facas. A disputa em defesa da legenda preferida aumentava o clima de desrespeito e o calor em Amazonas. Todos os dias se podia ouvir as “cordialidades” aos berros: “seu burro”, “sua anta”. Era como se cumprimentavam odiosamente.
Revoltado por ouvir ofenderem em xingamentos os animais que tanto amava e de conviver nesse conflito do período eleitoral, Fred pegou os seus quase-nada, encheu de água a garrafinha térmica, colocou duas laranjas e meia dúzia de livros na velha mochila jeans do ensino médio e se embrenhou mata afora. Fora viver nu e pintado de livre entre os aborígenes. Caminhou assobiando no idioma dos Pirahãs, que aprendera com os estudos das línguas nativas.
Junto à tribo, levava uma vida simples e, embora enfrentasse outras guerras, ali se fumava o cachimbo da paz.
Tema proposto pelo BVIW - “Nada de texto bonito”.
(BVIW - BECOMING VERY IMPORTANTE WRITER/ "Tornando-se um escritor muito importante.