Djanira Luz dj@
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Sinais Reflexivos- BVIW

 

Os motoristas foram parando devagar, um desatento quase bate na traseira do outro. À frente dos veículos, como em um palco, a esguia malabarista se equilibrava nas pernas de pau levando, para a mente fértil de Louise, imagens da festa junina de Pernambuco com grupos tradicionais e as suas pernaltas.

O condutor do Uber começou a reclamar da demora do sinal fechado. Louise observa a pequena apresentação, se abstrai e já não o escutava. Nem os sons dos transeuntes ou o barulho das buzinas. Louise viaja olhando a menina se equilibrando e de repente se viu fazendo preces para que a artista de rua não caísse. E uma culpa atravessou-lhe como uma adaga. Tantas vezes esquecera de rezar para as pessoas íntimas e estava ali intercedendo por uma estranha. Estranha mesmo era essa capacidade de se importar com quem nunca viu e ignorar quem se ama. Aquilo doeu fundo, de verdade. Prometeu melhorar nas atenções relevantes. Sentiu-se culpada e hipócrita. De certo não era a única a agir desse jeito, mas pesou. Abriu-se ali, no banco do carro, uma encruzilhada de questões, cujas atitudes lhe reviravam por dentro. E o tempo que perdeu no relacionamento platônico? Quanta energia gasta, tantas noites insones!

- Moça, moça, quer amendoim? - Louise voltou para a realidade pela voz do rapaz de cabelos verde neon. Surpresa com o chamado do vendedor, sorriu e agradeceu, mas rejeitou a oferta. Quando os carros voltaram a rodar, Louise se deu conta de que a distração com a equilibrista lhe fez baixar a guarda da própria segurança. Fora alertada pelo motorista de aplicativo a não se distrair no trânsito. Um descuido poderia ser fatal! Fez uma prece por si mesma e lamentou a proporção da violência na cidade. Estaria mais atenta, sobretudo, com o que refletira antes.

Djanira Luz
Enviado por Djanira Luz em 12/08/2026
Alterado em 07/10/2026
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