O DIA EM QUE O MAR CONHECEU O AMOR (BVIW)
Verão de 1985. A cidade estava agitada com o primeiro Rock In Rio. No dia anterior Bianca havia assistido a apresentação do Queen. Apesar da chuva fina e friozinho atípico de verão, Bianca quis ir com a melhor amiga até a praia. Precisava caminhar e esvaziar a mente daquela tristeza. O fim do namoro estava doendo muito. Bia retirou da bolsa um pequeno frasco com algo dentro. Zely quis saber o que era aquilo.
- O nome dele, porque ele ficará para sempre em mim, mesmo em nosso nunca mais nos veremos. Coloquei junto óleo perfumado para que o vidro afunde.
Bianca, abatida de tanto chorar, juntou o resto de força e arremessou ao mar o frasquinho. Naquela mesma noite foi noticiado um movimento incomum do mar. As ondas estavam inquietas e se ouvia um som como de um lamento. O mar acolheu a entrega da Bia e a guardou com respeito. Aquela emoção deveria ser preservada. A cada ano, naquela mesma data, o mar relembrava o dia em que experimentou do sentimento mais nobre com tanta sinceridade.
E assim, ele repetia o mesmo gesto de fazer as suas ondas espumarem intensamente como um choro demorado de saudade do amor que se foi. Mais de três décadas se passaram e o mar escrevia, com as suas escumas intensas: a memória de um amor profundo como o oceano e infinito como o Céu. Eternizou em suas entranhas o amor da Bia.
Tema proposto pelo BVIW - "Escrevia o mar"
(BVIW - BECOMING VERY IMPORTANTE WRITER/ "Tornando-se um escritor muito importante."